terça-feira, 3 de março de 2009

(s) de...




... silêncios partilhados... silêncios ouvidos...

saturninos


na noite existem lugares vagos
e é neles que tomamos parte
como ocupantes da tristeza

dizem que nessa tarefa existe um pacto
lançado a alguns à nascença

ninguém sabe ao certo como são escolhidos os loucos
talvez entre as luas haja uma hipótese mínima de se ser seguro






por enquanto somos apenas o contrário da luz
e a sombra serve-nos em alguns momentos para a revelar

E conto-te...


... uma história de amores impossíveis.
Sonhas no meu ombro.

Assobia a chaleira na cozinha feita de laranjas.

(foto: sobre pintura de c.b.)

segunda-feira, 2 de março de 2009

o que se pode esperar da espera?

uma vez contei-te dos incêndios
de como nunca ninguém apagará nenhum deles
nas nuvens mais frágeis
e de como se transformam em sangue tingindo o branco...


há muito que sou feita de esperar e nunca soube responder
nem sequer às perguntas mais breves...

talvez um dia sentado me dês a resposta amor
a resposta à pergunta mais simples:



já que sou feita de esperar (responde amor, responde...)
o que se pode esperar da espera?

ele esquecia-se até de se esquecer...



havia dias em que ele se esquecia de acordar mesmo que o chamassem
chegava a recorrer aos serviços telefónicos para despertar
mas esquecia-se de indicar os números correctos
para a sua direcção
esquecia-se dos números tal como das palavras e das letras
dos códigos e dos dialectos


certo dia esqueceu-se que se esquecia
e nunca mais pôde sequer soletrar o seu próprio nome

folha seca



se a folha dá lugar ao fruto
porque é que a queda não nos ajuda a reconhecer o chão?
entre o medo da noite
e a esperança do dia
existe um lugar intacto
que é sempre um final de tarde...


arrecadar do sol em laranja e azul...